Ele deu entrada nos papéis do divórcio no hospital, mas os três bebês dela já eram donos de tudo PARTE 1 Os papéis do divórcio chegaram antes que os três bebês pudessem sair da UTI neonatal. Nenhuma flor. Nenhum telefonema. Nem mesmo uma mensagem perguntando se algum dos trigêmeos tinha conseguido respirar a noite toda sem ajuda. Apenas um elegante envelope cor creme, carimbado por um escritório de advocacia caro de Santa Fé, colocado na mesa de cabeceira do hospital, ao lado de um pote de gelatina fechado e um copo de água morna. Mariana Ibarra olhou para ele em silêncio. Então, virou-se para a divisória de vidro que separava seu quarto da UTI neonatal. Lá estavam seus filhos. Três berços transparentes. Três corpinhos. Três chapeuzinhos tricotados por uma enfermeira que, vendo-a tão sozinha, ficou depois do expediente para lhe fazer companhia. Renata dormia com o punho cerrado contra a bochecha. Lucía mexia os pés inquietos como se já estivesse lutando contra o mundo. Emiliano, o caçula, tinha uma das mãos abertas sobre o cobertor amarelo, como se tentasse se agarrar a alguém. Mariana não chorou. A enfermeira, sim. "Oh, querida... quer que eu ligue para sua família?" Mariana abriu o envelope calmamente. "Não", respondeu baixinho. "Primeiro, preciso saber até onde ele estava disposto a ir." As páginas estavam perfeitamente organizadas. Fria. Elegante. Cruel. Pedido de divórcio apresentado por Sebastián Alcocer, fundador e CEO do Grupo Alcocer Global. Motivo: diferenças irreconciliáveis. Guarda dos filhos: sujeita a avaliação. Bens: conforme acordo pré-nupcial. Pensão alimentícia: dispensada. Sua assinatura estava no final. A mesma assinatura que Sebastián usava para fechar negócios milionários. A mesma assinatura que ele usara, quatro dias antes, para autorizar uma cesariana de emergência, dizendo ao médico: "Minha esposa fica muito agitada. É melhor me consultar sobre qualquer decisão importante." Mariana virou a última página. Havia um bilhete impresso, nenhuma palavra escrita à mão. "Mariana: Não complique as coisas. Você ficará confortável. As crianças terão tudo o que precisam. Não faça escândalo." Ela leu o bilhete duas vezes. Então, dobrou-o com uma calma que assustou a enfermeira. Ela não gritou. Não ligou para Sebastián. Não implorou. Colocou os papéis na gaveta ao lado da cama e pegou o celular com a mão trêmula. Discou um número que não usava há sete anos. Um homem mais velho atendeu do outro lado da linha, com a voz séria e triste. "Senhorita Mariana." Ela fechou os olhos por um instante. "Advogado Robles... é verdade?" Houve um silêncio pesado. "Sim. Dom Arturo Ibarra faleceu hoje às 5h18." Mariana apertou o lençol. Seu avô. O único homem que a fizera sentir-se um fardo. O homem que a criou depois que seus pais morreram na estrada para Querétaro. O homem que lhe disse: "No dia em que alguém a abandonar, não corra atrás dessa pessoa. Levante a cabeça e volte às suas raízes." Mariana olhou para seus três filhos. "E o fundo fiduciário?" O advogado respirou fundo. "Ele foi ativado assim que seu primeiro descendente direto nasceu. Como eram trigêmeos, foi dividido em três fundos iguais." "De quanto estamos falando?" O advogado hesitou antes de responder. —O patrimônio total ultrapassa 48 bilhões de pesos. A enfermeira levou a mão à boca. Mariana não sorriu. Porque naquele momento, dinheiro não importava. Seu avô estava morto. Seus bebês lutavam pela vida. E seu marido a abandonara como se ela fosse uma desgraça. Mas enquanto Sebastián enviava os papéis do divórcio para uma mulher que acabara de passar por uma cirurgia, seus três filhos acabavam de se tornar herdeiros do império que ele sempre sonhou em controlar. E Mariana entendeu que o que estava por vir não seria um divórcio. Seria uma guerra. ---------------------------------------------- ❤️OBRIGADA POR DEDICAR UM TEMPO PARA LER ESTA PARTE DA HISTÓRIA 🙏📖 ESTA É APENAS A PRIMEIRA PARTE; A continuação e o final já foram postados nos comentários 👇 Se você não os vir, clique em "Ver todos os comentários" e encontre-os para ler 💬✨

PARTE 1

Os papéis do divórcio chegaram antes que os 3 bebês pudessem sair da terapia neonatal.

Nenhuma flor chegou.

Nenhuma ligação veio.

Nem mesmo uma mensagem perguntando se algum dos trigêmeos conseguiu respirar a noite toda sem ajuda.

Apenas um envelope elegante, cor creme, com o selo de um escritório muito caro em Santa Fé, colocado na mesa do hospital ao lado de uma geleia intacta e um copo de água morna.

Mariana Ibarra o olhou em silêncio.